Barreiro News

Prefeito de BH faz alerta sobre a necessidade do distanciamento social, mas moradores do Barreiro já decretaram o fim da pandemia

Prefeito anunciou nesta quarta-feira que não haverá ainda o fechamento da cidade, apesar do número de casos disparar nas últimas semanas. No entanto, a possibilidade não é descartada e está sendo discutida pela equipe de enfrentamento da doença.

Na tarde desta quarta-feira (25) o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil disse que “ninguém (do governo) tem medo de fechar a cidade.  Metade queria fechar a cidade hoje e outra metade não”, disse em referência a uma reunião que ocorreu antes da coletiva de imprensa concedida nessa tarde.

Kalil deu um recado para que os comerciantes se alinhem para evitar aglomerações e “tomem conta um dos outros”. E foi categórico em destacar que “nós estamos adoecendo por meia dúzia de moleques irresponsáveis”. Em meio ao relaxamento da população, comércio e serviços do Barreiro, e de toda BH, não serão fechados.

A meia dúzia à qual o chefe do executivo municipal se refere é quem está descumprindo as regras de isolamento na cidade, e não são poucas.  Se durante a semana, especialmente à noite, a situação do distanciamento social é complexa, aos fins de semana os hábitos estão ainda mais complicados. No último sábado (21), bares estavam visivelmente lotados na Avenida Sinfrônio Brochado, bem acima da capacidade, muitos jovens bebendo no passeio e aglomerados, quase todos sem máscara. Nem parece que a região coleciona casos e mais casos em cada um dos 54 bairros, e inclusive, com o Lindéia que registrou mais mortes até agora em Belo Horizonte, com 28. Até o último boletim epidemiológico divulgado na terça (24), a capital já registrava 1.622 óbitos.

Bares lotados na Avenida Sinfrônio Brochado

Em entrevista ao Barreiro News, o médico Coordenador do SAMU de Contagem, Luiz Augusto de Oliveira Machado, ou seja, autoridade mais do que amparada para trazer o raio x do atual cenário no Brasil, explica que com a diminuição dos números dos casos, a população relaxou. “Quando houve uma redução do número de infectados, as pessoas se sentiram liberadas e isso foi engano”, reforça.

O médico lembra que a única forma de prevenir é cumprindo as medidas de cuidado sanitário e de distanciamento social. “A gente precisa levar a sério. Aparentemente a letalidade diminuiu, mas isso dá uma falsa sensação de segurança”, completa.

Machado destaca ainda que se o Brasil seguir uma tendência de outros países, é capaz de termos o número de casos maior do que tivermos na primeira onda. “Talvez com a possibilidade menor de mortes devido ao sucesso maior no tratamento, mas com muito mais gente infectada”, alerta.

Até que uma vacina efetiva esteja disponível, e uma grande quantidade de pessoas tenha tomado, não haverá controle da pandemia.  Neste sentido, na coletiva de imprensa, o prefeito Alexandre Kalil garantiu que já tem dinheiro separado para compra de dois milhões de seringas e para adquirir a vacina que for autorizada pela Anvisa.

Comércio vai poder funcionar nos três domingos que antecedem o natal

O secretário de saúde da capital, Jackson Machado Pinto, lembrou que abertura do comércio nos três domingos que antecedem o natal, outro anuncio feito na coletiva, é exatamente para evitar a aglomeração e que neste momento na capital “não haverá mais política educativa e sim a punitiva” para quem não seguir o regramento. O prefeito foi ainda mais direto: “Acabou a notificação. Agora, vamos fechar a porta dos irresponsáveis”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.