Barreiro News

Discursos políticos e bastante enrolação marcam a novela do Metrô no Barreiro

Capítulos extensos com mais de 20 anos de duração são marcados por jogo político e má administração de recursos públicos divididos em histórias que envolvem drama, comédia e suspense.

Por Fabiano Frade
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Abram-se as cortinas! Vai começar o espetáculo, a encenação. O jogo político, liderado atualmente pelo senador Carlos Viana (PSD), sobre o Metrô do Barreiro é só mais um dos capítulos do atraso no que diz respeito a essa lenda da cidade. Nessa semana foi destaque em toda imprensa a representação entregue pelo parlamentar mineiro ao Ministério Público Federal (MPF), em Minas Gerais, solicitando que o acordo atual entre o MPF, Governo Federal e Ferrovia Centro Atlântica (FCA) seja declarado nulo por descumprimento de regras estabelecidas. “O acordo assinado em 2019 para a devolução das linhas férreas entre a FCA e o Governo eram muito claras: as parcelas depositadas mensalmente deveriam ser usadas em projetos de mobilidade especialmente na área ferroviária. Desde fevereiro deste ano, a primeira delas, até última, todas foram para o caixa do Tesouro”, explica o senador.

Um jogo confuso de se entender, mas se você chegou até essa cena, continue acompanhando o dramalhão. Justamente neste momento acontece o seguinte: há um senador da república tentando trazer o dinheiro que, pelo acordo, é de fato de Minas Gerais, mas que está sendo depositado em um conta que atende o país como um todo. E não foi TED ou PIX executado errado não; é burocracia mesmo.

Entretanto, outros episódios já se desencadearam ao longo de mais de 20 anos. Quem passa no início da Avenida Afonso Vaz de Melo, no Barreiro, não faz ideia de que ali próximo à passarela é, no projeto, o local a ser construída a Estação II do metrô. E quem se impressiona com tanta demora para a chegada de um uma linha de trem no Barreiro, talvez não saiba que o Metrô de Belo Horizonte é uma enrolação por si só. As promessas para a ampliá-lo  já se arrastam desde a década de 1990.

Mapa da CBTU mostra com seria as linhas 2 e 3 do Metrô.

No terceiro take da novela o dramalhão se transforma em comédia. Amarras políticas, como as de agora, só contribuíram para obras complexas que nunca chegaram à conclusão. No Governo Newton Cardoso, em 1991, houve a implantação de um trólebus. Na avenida Cristiano Machado, região norte e nordeste da capital, aqueles com mais 40 anos vai se lembrar, chegou a ser implantado um sistema que seria destinado a mobilidade urbana e os ônibus movidos a energia elétrica chegaram a ser comprados, mas tudo ficou pelo caminho. Nossa reportagem tentou levantar o valor gasto nessa obra, mas não obtivemos retorno. Contudo, segundo fontes que participaram das discussões, era um dinheiro que poderia ter sido usado na conclusão da implantação do metrô.

Na história mais recente da política começa o suspense comum a toda novela, por mais arrastada que seja. Marcio Lacerda, do PSB, assumiu a prefeitura de Belo Horizonte em 2009, com a proposta de criar ramais subterrâneos para o metrô da capital implantando a linha Barreiro-Savassi-Lagoinha. A proposta chegou a ser apresentada à ministra chefe da Casa Civil, na época, Dilma Rousseff. Todas as alterações seriam viabilizadas por meio de uma Parceria Público Privada (PPP). Na Praça Sete, no coração da cidade, era possível ver perfurações e movimentos para o tal projeto, que também nunca foi para a frente.

No jogo de idas e vindas, vitórias e derrotas envolvendo o transporte por trilhos na capital, fica a impressão de que não é uma novela, mas uma série, daquelas que tem sempre continuidade.  Se bem que estava mais fácil saber quem matou Odete Roitman, em Vale Tudo da Rede Globo, do que adivinhar o desenrolar do enredo envolvendo a Linha Dois do Metrô.   Como já trouxemos em outras reportagens a respeito do assunto, a capital tem um trem de subúrbio e não um metrô, que não compreende a cidade.    No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Economia Paulo Guedes assinaram um decreto que qualifica a proposta do metrô de BH para o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Na prática, o empreendimento envolvendo o Barreiro, como destacamos em uma reportagem, passa a ter prioridade nacional diante de todos os órgãos públicos, o que deve, segundo o próprio governo, acelerar o projeto que se arrasta por anos. O próprio senador  mineiro Carlos Viana (PSD), que trouxe o assunto do metrô ao noticiário, disse ao Barreiro News que  o decreto publicado no DOU representa um considerável avanço para a implantação da Linha 2, mas afirmou que ainda  não era  possível criar expectativas para uma rápida resolução do processo.  Um, dois, três… gravando!  Que venham as cenas dos próximos capítulos.

Foto Divulgação – CBTU

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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