Barreiro News

Redes Sociais mostram força nas denúncias de racismo no Barreiro

Casos que viralizaram na internet nos últimos dias chamam a atenção para o preconceito por etnia. A divulgação nas redes hoje é uma forma de denúncia rápida, mas profissional da área alerta que a rapidez da divulgação e o rápido julgamento podem trazer problemas.

Larissa Lamarca, 20 anos, estudante

Por Fabiano Frade
Siga no Instagram: @barreironewsuai
Twitter: @barreironewsuai
Facebook: facebook.com/barreironews

Um atendente de uma lanchonete não tem troco para uma nota de r$100,00 e é hostilizado por um cliente de pele clara: “Macaco!”, “Veado!”. Dois meninos negros estão lanchando na praça de alimentação de um shopping e são supostamente, como mostra um vídeo, expulsos do local. As relações e conflitos do dia a dia, como o preconceito, vão parar nas redes sociais. E quando acontece no bairro da gente, no shopping que frequentamos, na rua que moramos, nos mostra o quanto tudo isso está mais próximo do que se imagina.

Racismo no dicionário tem definição clara e direta: “substantivo masculino, preconceito e discriminação direcionados a quem possui uma raça ou etnia diferente, geralmente se refere à segregação racial”. Mas, se com palavras ele é fácil de identificar, o mesmo não dá pra se dizer sobre na convivência do dia a dia.

O preconceito dirigido às pessoas ou aos grupos sociais negros no Brasil é algo velado. Não muito facilmente alguém admite ser preconceituoso. Recentemente o Instituto Paraná Pesquisas fez uma levantamento do tema entre os brasileiros , e 67% das mulheres admitiram que existe no racimo, contra 54% dos homens. O curioso é que admitir o problema é uma coisa, se assumir racista é uma bem diferente. Pesquisa do Ibope de 2017 revelou que só 2 em cada 10 brasileiros admitem ser preconceituosos, diz pesquisa do Ibope.

Larissa Lamarca, estudante de Geografia Foto Arquivo Pessoal

No caso do shopping, conforme o Barreiro News acompanhou no último sábado (28), um protesto foi realizado no local. A líder da manifestação, a estudante Larissa Lamarca, 20 anos, a destacou o quanto é importante os negros soltarem a voz contra qualquer tipo de preconceito. “Existe racismo no Brasil. Casos como esses do Via Shopping no Barreiro, do Carrefour em Porto Alegre, nos mostram que a luta é grande pra termos respeito”, lembra.

Hemerson Morais, jornalista e educador social – Foto: Arquivo Pessoal

O jornalista e educador social, Hemerson Morais, reforça que os dois casos não são uma mostra de que o racismo está aumentando, e sim que ele está sendo mostrado, pois sempre existiu. “No Brasil ainda tem um problema, pois temos o falso mito da democracia racial, mas esse sentimento de nacionalismo nunca existiu. Determinadas classes étnicas e grupos sociais são tratados de forma diferente no Brasil”, completa.
Morais lembra que é preciso sempre refletir sempre sobre esse tema do racismo, inclusive, sobre a forma que eles estão aparecendo, “O pensamento elitista, racista, homofóbico prevalece no Brasil e é preciso combatê-lo”, completa.

Hemerson Morais acredita que o racismo estrutural vem se perpetuando no Brasil e faltam negros nas posições mais altas na sociedade, nos lugares de destaque. “Temos que ir além das notas de repudio das instituições. É muito triste ver essas duas situações acontecerem em uma região tão plural como a do Barreiro, mas tudo isso um reflexo da sociedade brasileira”, reforça.

E todos esses casos de racismo no Barreiro só ganharam força devido as redes sociais. Para Vinícius Gadone, empreendedor e humorista, administrador página Barreiro Memes, a internet ajuda muito por potencializar e viralizar qualquer conteúdo, e quando há denúncia as pessoas se engajam bastante. “Se espalha muito rápido. É diferente da TV, por exemplo, onde é mais difícil o acesso para mandar os vídeos”, acredita. Mas, se tem um lado muito bom dessa denúncia rápida de uma injustiça, é preciso ter cuidado porque a ânsia de divulgar uma coisa muito rápida pode acabar em um linchamento virtual. “ Sempre há risco de Fake News, pois tudo pode ser manipulado. Não foi o caso desse vídeo ( das crianças no Via Shopping), mas a mesma facilidade de propagar uma denúncia verdadeira, pode se também repercutir algo mentiroso”, lembra.

Racismo é crime. Qualquer ato de ação de discriminação pela raça, cor, etnia, religião prevê punição de 1 a 5 anos de prisão e multa aos infratores. A denúncia pode ser feita em delegacias comuns e nas que prestam serviços direcionados a crimes raciais. Somente em São Paulo e no Rio Janeiro tem Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). É possível denunciar pela internet e também por telefone no “Disque 100”, serviço do Governo Federal para receber denúncias de violações de direitos humanos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.